A história de amor do Taj Mahal
"(�) E também há histórias de amor, como a simbolizada por um monumento que Anita pode contemplar ao longe, do trem, que em sua rota rumo ao norte [da �ndia] rodeia a cidade de Agra, a antiga capital do Imp�rio mongol. Com minaretes que se elevam ao c�u e uma ab�boda de m�rmore branco onde os raios de sol se refletem, o Taj Mahal evoca a grandeza do amor e a insignificência da vida. Mausol�u concebido por um imperador mongol chamado Shah Jehan para honrar a mem�ria da mulher por quem um dia se apaixonara, o Taj Mahal exala uma serena magnificência, uma sensação de beleza imortal que não deixa ningu�m indiferente. (�)
Diz a lenda que certa manhã, no mercado do pal�cio, assim que a viu, seus olhos cravaram-se nela. Era muito bonita, como uma imagem sa�da de uma miniatura persa. Estava sentada atrês de uma barraca, cercada de sedas e contas de colares quando o pr�ncipe se aproximou. Perguntou-lhe quanto custava um pedaão de cristal entalhado que brilhava entre um monte de pedraria. �Isso?... você não tem dinheiro para pagar! � um diamante�, disse ela. Conta a lenda que Shah Jehan entregou-lhe então dez mil r�pias, que era uma quantidade exorbitante, deixando a garota boquiaberta. Talvez fosse seu desembaraão ou sua beleza: algo nela o cativara. Cortejou-a durante meses e no fim conseguiu casar-se com ela. Deu-lhe o nome de Mumtaz Mahal, �A escolhida do pal�cio�.
Tornou-se imperatriz e sua conselheira. Conquistou o coração do povo porque sempre intercedia pelos mais pobres. Os poetas diziam que a Lua se escondia de vergonha diante da presença da imperatriz. Ele comentava todos os assuntos de Estado com ela, e quando os documentos oficiais estavam finalmente redigidos, mandava-os ao har�m para que ela pusesse o selo real. (�) Os imperadores podem ter todas as mulheres que quiserem, mas sempre há uma que lhes rouba o coração. (�)
Depois de 19 anos casados, ela morreu de parto, ao dar � luz seu d�cimo quarto filho. Tinha 34 anos. Dizem que durante dois anos o imperador guardou luto rigoroso, sem ostentar j�ias nem trajes suntuosos, sem participar de festas, nem banquetes e sem sequer ouvir música. Para ele, a vida deixou de ter sentido. Cedeu o comando das campanhas militares a seus filhos e dedicou-se de corpo e alma a construir esse mausol�u em mem�ria de sua mulher. Chama-se Taj Mahal, uma abreviação do nome da imperatriz. Dizem que ela, em seu leito de morte, teria sussurrado a id�ia de erigir um monumento �� felicidade compartilhada�. Agora continuam juntos em uma cripta sob a c�pula branca."
Do livro Paixão �ndia, de Javier Moro, que estou lendo agora.
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