Divagações, citações, fotos, livros e viagens.
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Opinião, conversa pra jogar fora, vontade de escrever.

17.8.09

Numa cabana com papai

Eu terminei de ler o livro A Cabana em abril, pouco antes de perder minha irm� num acidente de carro. Parece que realmente Deus escreve certo por linhas tortas e que j� estava escrito que ele seria um ponto de apoio pra mim.

Foi emocionante ler a história que se apresenta como ver�dica (eu acredito que seja!) de um pai que perdeu sua filha enquanto eles estavam acampando. A família reunida nas montanhas, dois dos tr�s irmãos tiveram problemas na canoa em que estavam. Enquanto o pai foi socorrer estes dois, um man�aco sequestrou sua ca�ula, que estava desenhando ali perto.

Depois de muito procurarem por ela e de quatro anos passados, ele recebe um bilhete, um convite para se encontrar com Deus, na mesma cabana onde tudo havia acontecido. Sem contar para ningu�m da família (ainda muito abalada e bastante desestruturada), com uma depress�o ainda mal interpretada, ele resolve ir a este encontro para tirar a limpo a brincadeira de mau-gosto. E se surpreende com o que encontra.

Em um mundo t�o cruel e injusto, A cabana levanta um questionamento atemporal: Se Deus � t�o poderoso, por que n�o faz nada para amenizar o nosso sofrimento? A história � contada por um amigo, William P. Young, e este autor afirma que ela � real e pede ao leitor para n�o ir adiante quando for contar a história, para deixar a surpresa para cada um que tiver o livro em mãos.

� emocionante! Chorei muito ao l�-lo. E ao mesmo tempo, � reconfortante � ainda mais depois de termos passado por tudo que passamos há pouco tempo. O livro foi muito importante para minha m�e tamb�m. E mesmo que vocé n�o tenha perdido ningu�m querido de forma tr�gica, leia! vocé vai enxergar muitas coisas de outra forma, depois de l�-lo.

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13.8.09

Livro: A Mulher que escreveu a B�blia

�tima leitura! Com um humor negro implac�vel e engraçadíssimo. Eu j� havia ouvido coment�rios sobre a forma que Moacir Scliar escreve e realmente: ele � inteligente! Tem boas tiradas e � muito sutil nos coment�rios impag�veis da protagonista da história, que � extremamente maliciosa e adora falar de sexo. Ele � t�o bom que ganhou o Pr�mio Jabuti, em 2000, com este livro. Ga�cho, m�dico e escritor, Scliar me conquistou! Vou ler seus outros livros, com certeza!

A sinopse deste livro: Ajudada por um ex-historiador que se converteu em "terapeuta de vidas passadas", uma mulher de hoje descobre que no s�culo X antes de Cristo foi uma das setecentas esposas do rei Salom�o � a mais feia de todas, mas a �nica capaz de ler e escrever. Encantado com essa habilidade inusitada (al�m de ela ser inteligente, sarc�stica e desbocada), o soberano a encarrega de escrever a história da humanidade � e, em particular, a do povo judeu �, tarefa a que uma junta de escribas se dedica há anos sem sucesso. Com uma linguagem que transita entre a elevada dic��o b�blica e o mais baixo cal�o, a an�nima redatora conta sua trajet�ria, desde o tempo em que n�o passava de uma personagem an�nima, filha de um chefe tribal obscuro. Moacyr Scliar recria o cotidiano da corte de Salom�o e oferece novas vers�es de c�lebres epis�dios b�blicos. Em sua narrativa, repleta de mal�cia e irreverência, a s�tira e a aventura s�o matizadas pela profunda simpatia do autor pelos exclu�dos de todas as �pocas e lugares.

vocé n�o consegue parar de ler! Prepare-se para rir muito, com inteligência!

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2.1.09

Uma declara��o de amor aos livros

As Mem�rias do Livro, de Geraldine Brooks, vencedora do Pulitzer de Fic��o (por outro livro, que tamb�m deve ser muito bom!), � uma delícia de leitura!

A protagonista, Hanna, � uma estudiosa e reparadora de documentos antigos. � assim que ela se depara com uma Hagadê (como uma b�blica judaica) com uma caracter�stica n�o muito comum: ela tem imagens para explicar as passagens e os costumes judeus. Datada do s�culo XIV, a obra deveria ter sido queimada na Inquisi��o posterior ao per�odo. Ou mesmo n�o deveria ter sido aceita em seu per�odo � quando os iconoclastas destru�am as imagens que representavam Deus e os acontecimentos, alegando que isso era um pecado praticado pelos homens, que tentavam chegar aos p�s do Criador com suas imagens (at� hoje a adora��o de imagens n�o � aceita por muitas religi�es, n�o � mesmo?).

O livro em que est� trabalhando � para uma exposi��o no museu em Sarajevo � uma cidade que merece a obra, para melhorar a auto-estima de todos, demonstrando que as religi�es �conversavam� entre si na �poca da Convivência � tempo em que judeus, mu�ulmanos e �rabes viviam juntos e respeitavam-se.

Neste livro, ela descobre de quando e de onde come�ou a ser, gra�as ao tipo de pergaminho utilizado (uma pele de cordeiro que era de uma certa regi�o e que extinguiu-se há s�culos); e tamb�m encontra outros detalhes que podem ajudar a reconhecer por onde o livro passou para chegar at� os tempos atuais: um p�lo branco, uma asa de um inseto; vinho e sangue; sal; onde foi feita sua �ltima encaderna��o e porqu� lhe faltavam detalhes importantes em sua capa.

� nessa parte que entram as histórias paralelas: cada resqu�cio encontrado tem sua história, mostrando por onde o livro passou e quem o guardou ou salvou: a escravid�o de artistas; as cores dif�ceis de serem encontradas, usadas nas pinturas; a expuls�o dos judeus; a Primeira e a Segunda Guerra Mundial; a Santa Inquisi��o. Tudo por causa de uma pequena marca deixada num livro � portanto, mais do que a história escrita no livro, há a história que o rodeia e que o fez chegar at� os tempos atuais.

Tenho uma amiga que detesta que sublinhemos o livro que estamos lendo ou que fa�amos anota��es nele. Ela tem raz�o � acredita que seja quase que como um abuso, denegrirmos uma �obra de arte�. Mas, nas poucas vezes que vou a uma biblioteca, gosto de ver isso: pelas mãos de quem um livro j� passou e quais poderiam ser as impress�es dessas pessoas (inclusive � isso que me faz escrever aqui). Um livro pode andar muito e contar muito de nossa história.

Adoro isso: o cheiro do papel, sua cor caracter�stica; o amor de quem me deu ou a delícia de escolhá-lo nas prateleiras; o namoro que se segue entre mim e a capa e o pequeno resumo na orelha do livro. S�o pequenas declara��es de amor a um hábito delicioso de ler e respeitar o que est� escrito.

O livro As Mem�rias do Livro foi criado a partir de fatos reais � como a real descoberta desta Hagadê. Acredito que a autora � uma jornalista que trabalhava em Sarajevo na �poca de tal descoberta � deve ter esse mesmo amor pelos livros (sen�o mais) e por isso, escreveu um livro que nos faz nos apaixonarmos mais ainda pela leitura.

Muito bem escrito, com informa��es reais e pertinentes, que n�o deixam a fic��o ser s� fic��o. N�o d� pra parar de ler! Perfeito pra quem ama livros!

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Histórias reproduzidas � e criadas � em terras tupiniquins

�Indicar no corpo das tradi��es, contos, cantigas, costumes e linguagem do atual povo brasileiro, formado do concurso de tr�s ra�as, que, há quatro s�culos se relacionam; indicar o que pertence a cada um dos fatores, quando muitos fen�menos j� se acham baralhados, confundidos, amalgamados; quando a assimila��o de uns por outros � completa aqui e incompleta ali, n�o � coisa t�o insignificante, como � primeira vista pode parecer.�

� isso que o livro Contos Populares do Brasil, com uma sele��o de contos de S�lvio Romero quer nos mostrar: como em regiões diferentes do Brasil, os mesmos contos s�o contados de formas diferentes, mas, sempre com o mesmo sentido. Ou muitas vezes sem sentido nenhum, sendo somente uma história para divertir crianças.

Depois de ter lido o livro Contos de Fadas dos Irmãos Grimm, � fácil reconhecer a semelhança entre os contos; mesmo aqueles que n�o vieram da Europa, trazidos pelos portugueses, aqueles contados pelos ind�genas ou mesmo pelos africanos (que n�o tiveram contato com a cultura europ�ia tamb�m). Percebe-se que � um senso comum contar as histórias para as crianças � para passar ensinamentos ou somente divertir.

S�o pequenas histórias, que vocé pode ler a qualquer hora, sem ordem cronol�gica ou grandes necessidades de entendimento. Um bom estudo de como começamos nossa cultura e de como nos assemelhamos � cultura de qualquer ser humano. Tendo vindo ele de qualquer lugar. � muito bom reconhecer como a miscigena��o no Brasil funciona sem preconceitos.

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6.12.08

A Villa � mais um livro de Nora Roberts

Na minha coleção de leituras, sempre que procuro um livro leve, � Nora Roberts quem me convence.

Neg�cios familiares d�o sempre muita discuss�o. E tamb�m causam muita inveja. � isso que se encontra no livro A Villa, de Nora Roberts: intrigas e paix�o; passando pela Califórnia, nos EUA e indo at� Veneza, na Itália.

Sophia Giambelli, a herdeira de um imp�rio de vinhos, se v� diretamente ligada a Tyler MacMillan, herdeiro de outra parte deste mesmo imp�rio: seus av�s, casados, fundem suas empresas e os dois herdeiros têm de aprender a trabalhar juntos. Ela, mulher do marketing, sempre envolvida com as rela��es p�blicas da empresa; ele, o homem da prítica, que trabalha nos vinhedos e conhece o resultado de suas uvas s� de olhá-las.

Eles trocam suas fun��es e têm de aprender a conviver e a respeitar um o trabalho do outro. Soma-se a isso, atentados que vêm ocorrendo contra a família, gra�as � cobi�a de concorrentes desleais. E por isso, eles têm de se unir mais ainda para conseguir resolver esse impasse: vinhos envenenados para acabar com a credibilidade da empresa; pessoas sendo assassinadas; cartas com amea�as.

� um livro para ler sem grandes pretens�es. Um romance comercial, de fácil leitura e que mostra bem as rela��es familiares no trabalho. � claro que os dois acabam juntos depois de muito discutir e tudo se resolve no final. Livros têm essa vantagem.

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24.9.08

Entre v�rios povos e costumes

Livro A Mulher de Pilatos, de Antoinette May envolve fatos ver�dicos e fic��o

Cl�udia. A história da mulher de Pilatos começa em sua infência � romana, sua família diz-se descendente de Vênus e para torn�-la ainda mais m�gica ao leitor, Cl�udia tem vidência. � ela quem nos conta toda a saga de sua família: seu pai � um militar de alta patente, seguidor e bra�o direito de Germ�nico, o parente mais prôximo do imperador. Portanto, eles vivem a viajar para conquistar novos territ�rios na �poca de uma Roma rainha no continente europeu.

O interessante � perceber a adora��o por deuses que n�o nos s�o comuns. A irm�, Marcela, � castigada pela mulher do imperador (que tinha tanto poder quanto ele) depois de ter dormido com seu neto preferido. � assim que � obrigada a entrar numa �seita�, das vestais, adoradoras da deusa romana Vesta, protetora dos lares � ou seja, muitas vezes a adora��o � uma imposi��o.

No caso de Cl�udia, ela se encantou com os poderes da deusa �sis, que correu o mundo juntando os peda�os do marido Os�ris e o ressuscitou � uma ode ao amor incondicional � e que na verdade era uma deusa eg�pcia, cultuada por Cle�patra. Foi atrav�s desta deusa que ela p�de trabalhar sua vidência e tamb�m pedir a ela ajuda com po��es e encantamentos para que Pilatos se apaixonasse por ela.

Deu certo. Mas sua vida n�o foi um �mar de rosas�. A infidelidade de Pilatos e depois de muitas prova��es, ela descobrir que o homem da sua vida era outro fez com que ela se apegasse cada vez mais � deusa e �s suas verdades. Uma mulher forte, como parece que toda romana tinha o poder de ser na �poca, ela nunca aceitou ser subjugada por um homem, fazendo sempre o que bem entendia. Independente, frequentava o templo de sua deusa. E foi l� que cruzou com Jesus uma vez.

Quando foi para um �spa� da �poca, conheceu Miriam, uma prostituta que se envolvia somente com ricos e poderosos e que depois seria chamada de Maria Madalena. Esta se tornou sua grande amiga por, principalmente, ser bastante culta e inteligente � al�m de possuir uma beleza exuberante.

Foi tentando ajudar Miriam, depois de ela ter se casado com Jesus e se convertido ao cristianismo, que Cl�udia teve suas vis�es mais fortes sobre as desgra�as que viriam depois da morte do messias e ainda de como o nome de seu marido seria lembrado injustamente como sendo o respons�vel por sua morte.

O livro � muito bom, principalmente para conhecer os costumes de uma outra �poca; a riqueza dos pal�cios em contraste com a captura de pr�ncipes para torn�-los escravos. Mas n�o espere saber muito de Jesus ou de Maria Madalena. A história � realmente de Cl�udia � os outros s� fizeram parte do enredo de sua longa vida.

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31.7.08

Um livro para viajar

Literatura m�gica, literatura para leitura devagar. O livro A F�brica de Papel, de Marie Arana, tem diversos personagens � por isso, deve ser lido com calma e aten��o. Bem no estilo de Gabriel Garc�a Marquez, com aquelas viagens absurdas para mundos imposs�veis.

Neste caso, Don Victor, engenheiro apaixonado pelo papel, se embrenha na Floresta Amaz�nica peruana e cria sua própria f�brica, na sua própria fazenda. Tem como funcion�rios �ndios que vêm para a �aldeia� que se tornou o lugar, chamada Floralinda. Eles n�o entendem bem as id�ias do homem branco, o �homem cupim�, que acaba com a natureza, alegando seu progresso.

O Transformador, como � conhecido Don Victor, resolve produzir celofane ao inv�s de seu habitual papel pardo e parece que essa mudan�a traz junto com ela uma maldi��o: enquanto o xam� da aldeia v� a praga se alastrar, o padre n�o entende porque n�o consegue mais esconder suas verdades � como acontece com todos da regi�o.

� um livro de aventura, que nos tira da realidade do dia-a-dia mas, n�o deixa de discutir as igualdades entre aqueles que se consideram t�o diferentes, superiores ou inferiores em rela��o aos outros. Intrigas gra�as ao desejo sexual e ao desejo por poder. E o destino se encarrega por fazer com que �coincidências� salvem a todos.

O protagonista tem que aprender a se desapegar de seus costumes. Mesmo depois de acreditar ter feito tanto, ele tem que aprender a recomeçar. No fim, tudo est� entrela�ado e nada mais � do que o destino correndo como o rio da Amaz�nia corre para o mar. Os recortes que fiz aqui e aqui, mostram bem o quanto o livro nos faz pensar.

Uma delícia! Eu recomendo para um tempo de relaxamento.

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28.6.08

A história de plantar e de colher

O livro "La Bodega", do Noah Gordon, me transportou para o final do século XIX, uma época de grandes mudanças na Espanha. Imagine só: guerras civis e uma praga devastando os vinhedos da França!

A história gira em torno do Joseph, um jovem que, assim como muitos irmãos caçulas, precisava construir seu próprio caminho. Enquanto o primogênito herda a propriedade, ele embarca em uma jornada épica. Primeiro, tenta a vida militar, mas logo percebe que os campos eram seu verdadeiro lugar. Depois, viaja para a França, onde aprende tudo sobre vinhos, um mundo completamente diferente do que conhecia.

Ao retornar para casa, encontra o vinhedo familiar à venda e decide dar uma nova vida a ele. A partir daí, acompanhamos a saga de Joseph: a luta para reformar o vinhedo, a produção do primeiro vinho de qualidade, a negociação com grandes compradores... É uma história que me tocou profundamente, pois me fez lembrar da minha própria família e da nossa produção de cachaça.

A cada desafio que Joseph enfrenta, eu me via ali, lidando com os mesmos problemas e buscando soluções. Afinal, a vida no campo exige muito mais do que apenas plantar e colher. É preciso ter paixão, dedicação e uma visão de futuro.

"La Bodega" é mais do que apenas um romance histórico. É um hino à vida no campo, um tributo aos agricultores que, dia após dia, trabalham duro para colocar comida na mesa e produzir alimentos de qualidade. Se você gosta de histórias inspiradoras e quer conhecer um pouco mais sobre a cultura do vinho, eu super recomendo esse livro!


Uma obra-prima de Noah Gordon que te transportará para o coração da vinicultura. "La Bodega" é mais do que um livro, é uma experiência. Descubra a paixão, a dedicação e a história por trás de cada garrafa.

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31.5.08

A Tenda Vermelha � fic��o de outra �poca

O livro A Tenda Vermelha, de Anita Diamant, foi diferente do que eu esperava. Segundo as críticas que li antes de l�-lo, a história seria da irm� de Jos�, contando a história da B�blia, pela vis�o de uma mulher.

Dinah, filha de Jac�, a protagonista do livro, que começa como observadora e termina como personagem principal, conta como eram os costumes em uma �poca em que as famílias eram praticamente n�mades no deserto. Quando viviam em tribos e os homens tinham v�rias esposas. Mas Jos�, seu irm�o, n�o � o mesmo Jos� de Maria, m�e de Jesus (e � isso que vocé espera quase que o livro todo para descobrir, e foi assim que me decepcionei com ele).

Foi dessa forma que ela teve quatro m�es, todas irm�s. E mais do que a trama em si, que acaba por mostrar o que acontece sempre � a ganência que surge, quando há maiores possibilidades de melhor de vida �, o que ficou do livro, foi a força e a dignidade que uma m�e, mesmo que seja de longe, pode dar a seus filhos.

Bom para conhecer costumes diferentes. Ela, nascida em Cana�, acaba vivendo no Egito e v� as diferen�as de considera��es que existem entre os dois mundos: no Egito, as mulheres tinham tanto poder quanto os homens, sentando-se ao lado deles nas refei��es, que demonstravam carinho por elas. Na cultura canan�ia, as mulheres eram inferiores (mesmo que na verdade sempre influenciassem seus maridos) e sempre tinham que estar atr�s dos homens.

Bom livro. Com �cenas� fortes de sexo, de adora��o a v�rios deuses e ainda de assassinatos frios e calculados. Realmente uma forma de mostrar a �vida pag� daquela �poca, anterior � história de Jesus, filho de Deus. Mas eu esperava mais.

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25.5.08

Um ano sab�tico para Comer, Rezar, Amar

Eu juro que quando peguei o livro de Elizabeth GilbertComer, Rezar, Amar � pela primeira vez nas mãos, ele ainda n�o estava na lista dos mais vendidos � �s vezes fico chateada por parecer que leio s� os livros j� comercialmente viáveis. Quando li a contra-capa do livro, estava numa crise existencial, querendo sumir pelo mundo, fugir pra outro planeta e me identifiquei totalmente com a crise pela qual ela passou para resolver se afastar de tudo e se encontrar.

Tudo bem... Eu n�o terminei um relacionamento como ela (estou muito bem acompanhada, obrigada), mas estava me sentindo um nada na �poca. E resolvi que tinha que ler o livro pra ver como foi que ela acabou se dando bem. Porque, se ela escreveu um livro, e ele est� entre os mais vendidos, � porque o final dele � bom. (Depois de umas duas semanas de namoro at� compr�-lo, ele j� estava entre os mais vendidos � porque eu gosto dessa �paquera� antes de ter o livro. Depois que os tenho, leio t�o r�pido, que gosto do sentimento de �sofrer de amor� por ele antes de compr�-lo.)

Liz, a autora (a história � real), resolveu estudar italiano na Itália. Ficou 4 meses em Roma, conhecendo a l�ngua a fundo e comendo muito bem. Depois, foi para a �ndia e passou 4 meses aprendendo a meditar. E por �ltimo, foi para Bali, na Indon�sia, viver perto de um guru espiritual e descobrir que havia curado todas as suas feridas. O livro todo � ela contando suas impress�es, vivências de uma forma muito simples, como se estivesse contando pessoalmente pra vocé � o melhor de tudo � que ela � muito engra�ada. � claro que ela fez pesquisas para escrever as coisas com fundamento (os recortes que fiz do livro mostram isso).

Mas, o mais interessante do livro, para mim, � que ele n�o � um livro de auto-ajuda, ele n�o te mostra o caminho. Ele s� mostra o caminho que a autora seguiu. vocé tem que encontrar o seu. Ele � �timo para descontrair, pra mais uma vez enxergar que todo mundo tem problemas e que sempre há um jeito de remedi�-los � e se n�o há, � porque � preciso colocar um ponto final e seguir em frente!

ADOREI!

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4.4.08

Os Contos de Fadas dos Irmãos Grimm

O livro Contos de Fadas, dos Irmãos Grimm, conta as histórias como elas realmente eram contadas. A apresenta��o de S�lvia Oberg � t�o interessante quanto as histórias contidas no livro: ela narra que os irmãos eram professores na Universidade de G�ttingen, na Alemanha, sendo fil�sofos eminentes. Eles perderam seus cargos em conseq�ência de um fato político. Jakob Ludwig Karl era professor de literatura alemã quando foi abolida a Constitui��o de Hanover e, por protestar contra tal ato, foi demitido; e Wilhelm Karl foi sub-bibliotec�rio em G�ttingen e mais tarde, professor tamb�m na universidade, abandonando o trabalho pelo mesmo motivo do irm�o.

Nas palavras de S�lvia, por motivos políticos, �o mundo ganhou um presente precioso�: Jakob e Wilhelm realizaram importantes pesquisas no campo da tradi��o popular, deixando um rico acervo de histórias, lendas, anedotas, supersti��es e f�bulas da velha Germ�nia, preservado gra�as � sua iniciativa.

Ela conta que os irmãos percorreram a Alemanha registrando as narrativas populares que recolhiam de pessoas humildes, muitas vezes analfabetas: comadres da aldeia, velhos camponeses, pastores, barqueiros, m�sicos e cantores ambulantes. Tudo isso acontecia nos primeiros anos do s�culo XIX, quando os velhos costumes pouco tinham mudado e as antigas tradi��es conservavam ainda toda a sua força.

O resultado desse trabalho foi excepcional: Kinder und Hausm�rchen (Histórias da Criança e do Lar) teve tr�s volumes de livros publicados, reunidos em 1819. Os Irmãos Grimm foram precursores da ciência do folclore, reunindo tradi��es e culturas populares, dos mais variados grupos. Eles empenharam-se na elabora��o de uma obra patri�tica, n�o apenas recuperando e imortalizando os relatos conhecidos por nós como contos de fadas, como tamb�m iniciando o Grande Dicion�rio alemão, cujo primeiro volume saiu em 1854.

Seu trabalho ganhou propor��es que romperam a esfera nacional de importante documento das tradi��es populares alemãs para espalhar-se pelo mundo, sendo traduzido e imortalizado entre crianças, jovens e adultos que contam e recontam as histórias por eles recolhidas.

Portanto, Walt Disney, muito mais recente, nos ajudou muito a conhecer as histórias atrav�s dos desenhos lindamente produzidos. Mas foram os Irmãos Grimm que fizeram com que as histórias n�o se perdessem no tempo, sendo contadas de m�e para filhos e assim por diante. Sem contar que as histórias do livro s�o mais verdadeiras, por serem exatamente o que os Irmãos Grimm registraram. Branca de Neve, por exemplo, n�o teve a piedade de um ca�ador � tal ca�ador aparece em outra história, em que ele fica com pena de matar o pr�ncipe que o pai mandou matar por achar que ele o havia tra�do. A Bela Adormecida, n�o acordou por causa do beijo do pr�ncipe, mas, porque os 100 anos de sono que a bruxa praguejou para todo o reino dela, haviam passado no mesmo momento em que o pr�ncipe chegou.

E assim por diante, vocé constata, ao ler o livro, que muito do que nos foi contado e como conhecemos j� est� um pouco distorcido ou um pouco misturado com outras histórias menos conhecidas. De qualquer maneira, n�o deixam de ser lindas, n�o � mesmo? O livro � uma delícia para relembrar o que j� est� muito bem gravado em nossos cora��es, quando nos foi passado, atrav�s das histórias, por pessoas queridas.

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22.3.08

Livro poderia envolver mais o leitor - Kim Edwards

Acabei de ler o livro O Guardião de Memórias, de Kim Edwards. A história começa em 1964 – e é interessante perceber como os costumes eram diferentes e como era aquela época até o final dos anos 1980, quando há o desfecho da história.

O enredo é sobre um médico e sua esposa que têm gêmeos, sendo que a menina tem síndrome de Down. Em 1964, filhos com esse tipo de deficiência eram considerados retardados e não eram aceitos pela sociedade. E foi assim que o Dr. Henry resolveu dar sua filha para uma instituição. A enfermeira, que o ajudou a fazer o parto, resolve criá-la e vai embora da cidade.

O homem vive sua vida toda com o sentimento de culpa e sem conseguir revelar para sua mulher que sua filha estava viva e não morta como ele havia afirmado logo após o parto. Paul, o filho que foi criado pelos pais, nunca entendeu a distância entre todos da família.

E a história se desenrola assim: em volta da culpa e dos caminhos que a vida leva as pessoas por causa de uma mentira. É um livro para se ler rapidamente e que poderia ter mais emoção. Não foi um dos meus preferidos, mas, como sempre que leio, me desligou do mundo e me fez ver com outros olhos certos aspectos da vida. Causou-me o prazer da leitura, mesmo sendo "morno" – não é preciso pensar muito para ler o livro. Na minha classificação pessoal, é um romance comercial que serve tão somente para passar o tempo.

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27.2.08

L� vem história pras crianças

Ando lendo livros de f�bulas e contos de fadas. Histórias da R�ssia; histórias do folclore brasileiro menos conhecidas; um livro com todos os contos dos irmãos Grimm reunidos, mas menos fantasiosos (vou falar sobre ele já-já).

Al�m disso, tenho sobrinhos que, gra�as a Deus, adoram livros e histórias antes de dormir. E assim, dentre os v�rios livros começados ao mesmo tempo que estou lendo (uma bagun�a pouco normal para os meus padr�es), peguei emprestado um livro novinho do Hugo, meu sobrinho � que devo devolver o quanto antes para sua m�e ter mais conte�do nas noites que a criança passa em claro.

As histórias deste livro s�o adapta��es das que s�o apresentadas no programa L� vem história da TV Cultura de São Paulo. Todas as historinhas contadas nele, s�o releituras da autora Heloisa Prieto, de histórias e contos folcl�ricos do mundo todo. Uma delícia pras crianças, editada e publicada pela Companhia das Letrinhas, um bra�o infantil da editora Companhia das Letras. Falando nisso, acho um charme uma editora j� consagrada fazer uma editora s� pra livros infantis.

J� li todas as historinhas. Afinal, tenho que devolver o livro. Transcrevo a que mais gostei, abaixo. Divirta-se! E n�o deixe de ler histórias para suas crianças (porque na verdade, a gente sempre se diverte junto)! ;)

Os cegos e o elefante

Numa cidade da �ndia viviam sete s�bios cegos. Como seus conselhos eram excelentes, todas as pessoas que tinham problemas os consultavam. Embora fossem amigos, havia uma certa rivalidade entre eles, que de vez em quando discutiam sobre qual seria o mais s�bio.

Certa noite, depois de muito debaterem acerca da verdade da vida, e n�o chegarem a um acordo, o s�timo s�bio ficou t�o aborrecido que resolveu ir morar sozinho numa caverna da montanha. Disse aos companheiros:

� Somos cegos para que possamos ouvir melhor e compreender melhor que as outras pessoas a verdade da vida. E, em vez de aconselhar os necessitados, vocés ficam a� brigando como se quisessem ganhar uma competi��o. N�o ag�ento mais! Vou-me embora.

No dia seguinte, chegou � cidade um comerciante montado num elefante imenso. Os cegos jamais haviam tocado nesse animal e correram para a rua ao encontro dele.

O primeiro s�bio apalpou a barriga do bicho e declarou:
� Trata-se de um ser gigantesco e muito forte! Posso tocar em seus m�sculos e eles n�o se movem: parecem paredes.
� Que bobagem! � disse o segundo s�bio, tocando na presa do elefante. � Este animal e pontudo como uma lan�a, uma arma de guerra. Ele se parece com um tigre-dente-de-sabre!
� Ambos se enganam! � retrucou o terceiro s�bio, que apalpava a tromba do elefante. � Este animal � id�ntico a uma serpente! Mas n�o morde, porque n�o tem dentes na boca. � uma cobra mansa e macia.
� vocés estão totalmente alucinados! � gritou o quinto s�bio, que mexia nas orelhas do elefante. � Este animal n�o se parece com nenhum outro. Seus movimentos s�o ondeantes, como se seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante!
� Vejam s�! Todos vocés, mas todos mesmo, estão completamente errados! � irritou-se o sexto s�bio, tocando a pequena cauda do elefante. � Este animal � como uma rocha com uma cordinha presa no corpo. Posso at� me pendurar nele.

E assim ficaram debatendo, aos gritos, os seus s�bios, durante horas e horas. At� que o s�timo s�bio cego, o que habitava agora a montanha, apareceu conduzido por uma criança. Ouvindo a discuss�o, ele pediu ao menino que desenhasse no cháo a figura do elefante. Quando tateou os contornos do desenho, percebeu que todos os s�bios estavam certos e errados ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou:

� Assim os homens se compartam diante da verdade. Pegam apenas uma parte, pensam que � o todo e continuam sempre tolos.

(História do folclore hindu)

Servi�o:
L� vem história - Contos do folclore mundial
Escrito por Heloisa Prieto
Ilustrado por Daniel Kondo
Companhia das Letrinhas

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22.2.08

1808 � uma história contada 200 anos depois

Como uma rainha louca, um pr�ncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napole�o e mudaram a História de Portugal e do Brasil

O livro de Laurentino Gomes, Diretor Superintendente da Abril � bom mas, nada al�m. A obra recebeu críticas positivas por todos os lados. E quem seria capaz de escrever uma linha contra o �chefe�?

Agora, n�o desmerecendo: 1808 � bom, bem escrito, com bastante história, mas n�o � tudo isso que todo mundo vem falando. Achei que fosse conhecer intimamente os costumes da corte e principalmente de D. Jo�o VI � o que talvez nem os historiadores tamb�m conheçam a fundo, por falta de documenta��o. O que vocé l� no livro � um apanhado geral de uma �poca. Muitos nomes, gente que eu n�o sabia que faziam parte desta história e muita informa��o que nos faz entender um pouco melhor por que somos como somos hoje.

Mas o livro me fez enxergar pelos olhos de quem chega a um novo pa�s. Cheguei a me sentir dentro dos navios que vieram de Portugal, atrav�s das descri��es em di�rios de pessoas que viam Salvador e o Rio de Janeiro pela primeira vez. Isso � bonito. D� pra confirmar que o Brasil sempre foi maravilhoso.

Agora, quando essas pessoas desembarcam, conhecem nossa verdadeira p�tria: suja, pregui�osa, sem cultura ou educa��o. � um problema que veio da cultura extrativista da col�nia, que n�o precisava se preocupar em manufaturar nada e nem mesmo produzir nada, j� que trocava suas mat�rias-primas por produtos finais de Portugal e quando a corte chegou ao Brasil, pelos produtos da Inglaterra.

O problema continuou a se agravar porque os próprios portugueses que acompanharam o rei para o Brasil, n�o acreditavam que ficariam aqui por muito tempo ou que deviam se preocupar com a cidade em que estavam. Negros escravos por todos os lados, maltrapilhos e sem expectativas; ruas estreitas e sem saneamento (as �coisas� do pseudo-banheiro eram jogadas pela janela); preocupa��o somente em ostentar o que se tinha (j�ias extra�das de Minas Gerais, muitos escravos � sua volta).

Era uma vida f�til, como deveria de ser no resto do mundo nesta �poca. Mas aqui era pior porque n�o havia nenhuma infra-estrutura e a monarquia e mesmo o povo, demorou muito para se preocupar com isso. O que Laurentino Gomes diz, e tem raz�o, � que provavelmente se a corte n�o tivesse vindo para o Brasil, hoje o pa�s n�o seria desse tamanho, teria sido dividido quando começaram as revoltar que a monarquia �estancou� e assim, nosso pa�s n�o teria a força que tem hoje na Am�rica do Sul.

O triste � constatar � que fomos formados a partir do desprezo de uma na��o que acreditava ser melhor do que nós e que nos deixou todas as suas d�vidas quando foi embora. Note que Portugal tamb�m n�o estava feliz com o rei fugitivo, que os abandonou � própria sorte, na luta contra Napole�o. Como todo mundo j� deve saber, D. Jo�o era um fraco.

Vale a pena ler o livro. Prepare-se para decepcionar-se (e muito) com os nossos antepassados.

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15.1.08

Uma breve história do mundo

Uma vis�o geral sobre a humanidade e sua história � essa � a melhor defini��o que posso dar sobre o livro que acabei de ler. � muita informa��o sobre desde o surgimento do homem há 2 milháes de anos na �frica, at� a chegada do homem � lua e aos dias atuais.

S�o somente 342 páginas pra contar muita coisa no livro �Uma breve história do Mundo�, escrito pelo professor da Universidade de Harvard e da Universidade de Melbourne, o historiador Geoffrey Blainey � suas aulas devem ser uma delícia, j� que escreve de uma forma t�o simples e imparcial sobre a nossa evolu��o.

Primeiro, o homem desceu das �rvores, na �frica. Deste ponto em diante, se tornou um explorador: descobrindo plantas comest�veis atrav�s do acerto e erro, muitas vezes morrendo envenenado. Ca�ava o que podia com seus instrumentos ainda muito r�sticos, como pedras. E cada vez ia mais longe para descobrir novas formas de se alimentar e viver. Era n�made, at� que encontrasse um lugar que considerasse interessantes para viver � e nestes lugares, as gera��es posteriores se esqueciam de seus antepassados e de onde vinham. Começaram a plantar e domesticar animais e a se instalar em lugares certos.

Neste tempo, j� estavam espalhados pela Europa, Am�ricas, �sia, Nova Zel�ndia, Austr�lia (que ainda n�o tinham esses nomes, � claro). Os mares subiram, as configura��es dos continentes mudaram e as tribos deixaram de ter a possibilidade de contatos entre si (o que j� n�o acontecia, pois estavam muito distantes uns dos outros) e assim, cada uma cresceu e evoluiu conforme as possibilidades de sua regi�o.

A utiliza��o da madeira das florestas, as planta��es perto de rios (utilizando os sedimentos que estes deixavam depois das cheias) foram as primeiras devasta��es de solo que aconteceram. E com elas, a eros�o, o empobrecimento do solo e a necessidade de encontrar outras alternativas para se alimentar. Os homens tinham bem definidas as esta��es do ano, vivendo em fun��o delas: no ver�o, a colheita e o armazenamento para o inverno; na primavera, os plantios � e assim por diante.

A cria��o da roda; a descoberta do milho nas Am�ricas; a fabrica��o de cervejas (que as crianças tamb�m tomavam); as planta��es de algod�o para fazer roupa; e a importa��o da seda da China para todos os lugares poss�veis na �poca do Imp�rio Romano. A riqueza do Egito, as cidades do Oriente M�dio; a cria��o da imprensa, da palavra escrita; a história das religi�es, sendo explicadas sem f�bulas e de uma forma prítica; o surgimento do juda�smo.

Jesus era filho de carpinteiro � na sua �poca, isso significava ter muito conhecimento. E ele era um ex�mio orador. Ele simplesmente facilitou os ensinamentos e deveres dos judeus e assim, criou uma religi�o mais male�vel para a �poca. Fala-se de Maom� (casado com uma vi�va rica que muito o ajudou e depois, escreveu sobre as mulheres serem inferiores), criador do isl�.

E depois, o descobrimento das Am�ricas, da Austr�lia; conhecimentos de medicina; a revolu��o com a m�quina de vapor; a deteriora��o de povos; a unidade europ�ia e suas col�nias; as guerras na China, no Jap�o, entre os pa�ses europeus; a Primeira e a Segunda Guerra Mundial � quem foram Hitler, St�lin, Mussolini. A ciência como novo imp�rio � o conhecimento como arma e como possibilidade de paz.

� uma vis�o de tudo. E claro, se for de seu interesse, � preciso se aprofundar. Mas, para ter um conhecimento geral, sem ter que dividi-lo em mat�rias de história e geografia, como se faz na escola. Tudo � fundido aqui: as duas mat�rias e ainda a literatura, de suma importência para os registros de outras �pocas. Um livro interessant�ssimo e que vou reler daqui um tempo � pra n�o deixar escapar nada!

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25.12.07

Uma realidade absurdamente dura

Se vocé se emociona com facilidade, pense bem antes de ler A Cidade do Sol, de Khaled Hosseini. Da mesma maneira que chorei copiosamente com o livro O Ca�ador de Pipas do autor, me debulhei em l�grimas mais uma vez.

Talvez seja por contar a história de duas mulheres t�o fortes dentro de suas possibilidades num pa�s como o Afeganist�o. A trama � completamente atual, tendo como pano de fundo a guerra do pa�s contra a Uni�o Sovi�tica e depois de ganha essa briga, o levante dos v�rios �senhores de guerra�, de cada casta que há no pa�s, lutando entre si pelo poder. Depois, para �organizar� o que o pa�s estava se tornando, a chegada dos talib�s � homens que foram criados al�m de suas religi�es, que cresceram no meio de lutas e m�sseis. Estes, que seriam o alento do pa�s tamb�m se tornaram duros demais, conservadores demais. O livro � t�o atual que menciona inclusive o atentado de 11 de setembro, realizado pelo talib� Osama bin Laden. � uma boa maneira de entender melhor a realidade do pa�s, pela �tica de pessoas que vivem isso.

E sempre s�o as mulheres quem mais sofrem: burcas, depender de homens para poder sair de casa, serem espancadas, humilhadas, estupradas, mortas por seus próprios familiares. Laila, filha de professor universit�rio e sempre incentivada a estudar, v� tudo se desfazer, se v� obrigada a usar burca, a n�o poder pensar. Marian, uma harami, ou seja, uma bastarda, nunca teve instru��o, nunca nem pensou que teria capacidade de ajudar tanto a pessoas amadas. � atrav�s de seus olhos (escondidos atr�s das redinhas de suas burcas) e de suas realidades que vemos como a vida pode ser mais difícel do que o imagin�vel.

O livro mostra o que � uma guerra, o que � uma cultura, o que � a religi�o para esses pa�ses do Oriente M�dio. Nada � fácil, tudo � doloroso, todas as lutas (internas, físicas e ideol�gicas) estão muito prôximas do fio t�nue entre a vida e a morte. Mas existem momentos felizes, como sempre acontece: a gente tem que ver a felicidade em algum lugar ou n�o ag�entaria sobreviver...

O t�tulo original, A Thousand Splendid Suns (uma centena de espl�ndidos s�is), foi inspirado em uma poesia que se refere � cidade de Cabul, escrita por um poeta afeg�o, que foi proibido de ser lido pelos talib�s (tal t�tulo faz muito mais sentido e claro, � bem mais po�tico, como vocé ver� no livro), assim como todos os outros livros que n�o fossem o Alcor�o e tamb�m pintar, escrever, cantar. O mais impressionante � o tanto que o povo j� sofreu por seu pa�s e que, mesmo assim, volta para reconstru�-lo.

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21.12.07

Para repensar pensamentos e atitudes

Depois de visitar por duas vezes a Casa de Anne Frank (Na foto ao lado, a entrada para o museu), quando estive em Amsterdam e j� conhecendo um pouco de sua história, li o livro da adolescente judia: �O Di�rio de Anne Frank�. Segundo a editora esta � a edi��o definitiva (de 2006), contendo o di�rio que foi editado pelo pai, Otto (respons�vel pela publica��o e sendo o �nico sobrevivente do Anexo na Segunda Guerra) e ainda os coment�rios que foram considerados indiscretos � como as críticas da menina � m�e, � outra família que vivia com eles. H� mais dados tamb�m sobre a pris�o da família e explica��es sobre como o livro foi encontrado e finalmente publicado.

Sabia do que se tratava (Ao lado, a fachada da empresa, que d� para a rua � o anexo fica atr�s): Anne Frank e seus pais e irm�, al�m de mais uma família que se constitu�a do casal e seu filho e ainda mais um senhor solteiro, totalizando oito pessoas, estiveram escondidos desde julho de 1942 at� agosto de 1944, no �Anexo Secreto� � um espa�o atr�s de uma f�brica de gel�ias e temperos, que n�o pode ser chamado de casa. Judeus, se prepararam desde muito antes para se esconderem, j� esperando pela guerra: seu pai, Otto, propriet�rio da empresa, repassou tudo a seus funcion�rios, que continuaram a trabalhar e que estiveram com eles durante todo o per�odo de esconderijo, levando suprimentos e as not�cias do mundo exterior. (Abaixo, a porta de entrada para a empresa de gel�ias e temperos.)

O mais interessante foi, conhecendo a história, tamb�m conhecer o g�nio de Anne Frank: bastante forte. No livro, percebe-se claramente a estafa de todos por terem de ficar durante tanto tempo sem poderem sair, tendo de conviver o tempo todo, sem espa�o para se refazerem das diferen�as que acontecem na convivência. Como a mais nova, sendo uma adolescente (Anne foi para o Anexo com 13 anos), as crises que teve, as exigências e o amadurecimento da idade demonstram bem o sofrimento da garota. Al�m disso, a �escritora� faz an�lises de todos os integrantes do Anexo e sem perceber, mostra com detalhes a realidade de uma �poca dific�lima para os judeus, mas n�o imposs�vel (pelo menos nesse caso).

� bom ler o livro, principalmente quando estiver com algum tipo de crise: a convivência forçada destas famílias, as dificuldades que passam para se acostumarem uns com os outros; o medo de serem pegos; a fome, que os obriga a comer verduras mofadas e batatas podres; a vontade de viver. Todos os problemas nos fazem repensar nos valores que nós temos, para termos uma melhor no��o do que � conforto e do que � poder sair para caminhar a qualquer momento. Coisas simples como poder ver o c�u s�o veneradas por Anne � muitas vezes a gente n�o tem tempo nem mesmo de olhar para ele, n�o � mesmo?
Um livro leve, mas profundo que nos mostra outra vers�o da guerra. H� discuss�es sobre sua veracidade: n�o sobre os fatos, mas se realmente o livro foi escrito pela adolescente. (Acima, Marcelo e Anne Frank, em Amsterdam) Fala-se sobre a possibilidade de ser somente um livro de �auto-ajuda� para jovens judeus, fabricado por um ghost-writer. Eu acredito que seja verdadeiro � mas posso ser �pura de cora��o�, e querer ver o que me interessa. Leia e tire suas próprias conclus�es. De qualquer maneira, � uma experiência e tanto!

O Di�rio de Anne Frank
Por Otto H. Frank e Mirjam Pressler
�Edi��o Definitiva� � Editora Record � 2006

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21.9.07

Livro: A distência entre nós

Romance da jornalista indiana Thrity Umrigar, o livro "A distência entre nós" relata costumes da �ndia inimagin�veis para a nossa realidade e verdades iguais em qualquer lugar do mundo.

A história tem como personagens centrais a patroa, Sera e a empregada, Bhima. Elas s�o de castas diferentes e por isso, cada uma deve exercer a sua fun��o na sociedade: Sera, da casta dos parses, seria como se da nossa classe m�dia alta; Bhima, aquela que nasceu para ser, pelo resto de sua vida e de seus descendentes, servi�al.

A patroa sofre os abusos de uma classe que deve sempre manter as aparências e que n�o pode, de jeito nenhum, tratar alguém de outra casta como seu igual. A empregada n�o pode se sentar em cadeiras ou sof�s da casa onde trabalha, n�o pode usar talheres, copos ou pratos para si, a n�o ser os utens�lios que tem guardados numa caixa de papel�o. Na favela onde mora, n�o há infra-estrutura nenhuma, ou esgoto, ou mesmo luz. Ela se sente ignorante por n�o saber ler e escrever mas, tem muito mais sensibilidade do que imagina, por baixo de todo o seu jeito ranzinza.

Na verdade, o que se percebe � que, mesmo sendo de castas diferentes, as duas se aproximam por sofrerem a opress�o de serem mulheres, por deverem aceitar e fingir n�o saber muitas coisas. � uma dura realidade, que se passa na cidade de Bombaim. � difícel acreditar no desfecho do livro. Eu esperava que depois de tanto sofrimento, essas mulheres se rebelassem, se abra�assem, se unissem. A história � muito mais verdadeira e cruel do que se imagina.

Para conhecer novos costumes, e costumes nada bonitos, a leitura compensa: muito bem escrito, vocé l� num instante a triste história da sociedade da �ndia, no microcosmo da vida dessas duas mulheres.

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2.7.07

A menina que roubava livros � Lindo e triste

Quando a Morte conta uma história, vocé deve parar para ler.

Era de se esperar que o livro de Markus Zusak, fosse triste. Afinal, a história � contada pela Morte, que se apresenta como uma �tima blogueira, na sua forma de escrever. Ela vai e vem no tempo, para nos preparar �s trag�dias que estão por vir. A forma com que escreve a história � leve, mesmo sendo triste. E ela sempre tem cores para amenizar os acontecimentos.

O tempo � da segunda guerra mundial, e Liesel mora em uma cidadezinha (Molching) nos arredores de Munique, depois de ter sido entregue por sua m�e a outra família, j� que n�o tinha como sustent�-la. Perde seu irm�o, ganha novos pais e um grande amigo nas traquinagens, Rudy. Al�m disso, seu novo papai, um tocador de acorde�o, � uma pessoa bon�ssima, que abriga um judeu no seu por�o, em plena ca�a � �ra�a inferior�. Max, o judeu, � outro que faz com que Liesel enxergue o mundo de outra maneira e ainda saiba sempre como est� o tempo, para cont�-lo ao amigo que n�o pode sair do por�o.

Liesel, que começa sua história criança ainda, n�o entende por que tem que adorar Hitler, por que as pessoas v�o embora, o porqu� das fogueiras para queimar os livros que tanto adora. E principalmente, por que todos têm tanto medo. Antes da morte, a vida ensina.

A todos que vai buscar, a Morte traz e v� no seu c�u uma cor diferente � ou de guerra, ou de al�vio, ou de desespero. E � lindo como ela explica cada cor que v�. Ela observa Liesel e a reconhece todas as vezes em que vem buscar alguém que � querido � menina.

A paix�o de Liesel pelas palavras, que aprendeu com seu pai, escrevendo na parede, a faz roubar os poucos livros que tem, lendo e relendo-os v�rias vezes, para si e para os outros. E depois, � ela quem escreve a história que nos � contada pela Morte.

A maneira com que a menina encontra com a Morte � branda e muito bonita, mas foi essa senhora que levou a todos durante a guerra. E a gente imagina a dor que seja ver todos indo embora. � de chorar... E muito! E � lindo!

Muitas das palavras, dos palavr�es, das explica��es, n�o foram traduzidas do alemão para o portugu�s. Eu, que adoro a l�ngua, fiquei mais apaixonada ainda pelo livro e quem n�o fala alemão, entende pelo contexto, percebe que se fosse traduzido, perderia o sentido. Enfim, muito bem amarrado, envolvente e que mostra uma Morte � por mais que diga que esta � a �nica qualidade que n�o tem �, muito simp�tica e quase humana.

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10.6.07

Um livro para se apaixonar

�Corria o tempo, passava a história, mudavam os personagens, mas o amor sobrevivia. Oriente e Ocidente, t�o diferentes, mas t�o atraentes um para o outro quanto o homem e a mulher. Como as duas faces de um mesmo mundo.�
(Sua Alteza, o maraj� Jagatjit Singh de Kapurthala, no final de sua vida.)

Com certeza vocé j� assistiu algum daqueles filmes antigos, com Gary Grant ou Audrey Hepburn, entre v�rios outros atores que minha m�e sabe todos os nomes de cor e salteado. S�o aquelas histórias doces, que sempre têm final feliz, mesmo que o final n�o seja perfeito. Um outro ritmo de vida, uma outra �poca.

� isso que vocé vai encontrar em �Paix�o �ndia�: uma biografia, ou seja, a história � real. Mas � um romance de m�o cheia. Aprende-se muito sobre a cultura indiana, v�-se a história contada por um outro �ngulo. O maraj� de Kapurthala, um dos Estados do Raj (como a Inglaterra era chamada quando a �ndia era governada pela rainha Vit�ria � 1907), se apaixona por Anita, uma espanhola que começava a dan�ar num teatro.

Enquanto ele n�o conseguiu conquist�-la, n�o desistiu. E a�, entra todo o impacto entre Ocidente e Oriente: ele dava dinheiro � família dela, como se quisesse compr�-la, mas esse era o costume no seu pa�s. Ela, nunca ficou no har�m do maraj� � o que causou muito ci�me e brigas nas outras mulheres do pr�ncipe.

Homens que tratam suas v�rias mulheres como rainhas, estudando na escola, junto com matem�tica e história, o Kamasutra! A riqueza dos detalhes, a opulência, a felicidade e o sofrimento. A solid�o e o jet set. E um desfecho digno de um gentleman, como o maraj� se mostrou. Tem festas, recep��es, j�ias dadas como se fossem somente pequenos mimos, tem esc�ndalo. vocé l� sem perceber, sem querer acabar. A história real poderia bem ser um conto de fadas: mesmo sem ser completamente perfeito, o final � feliz!

Tudo vale, porque a paix�o nos espera.
Kamasutra 2.3.2

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25.5.07

O C�dex 632: Mais do que se aprende na escola

Uma aula de história. Se real ou n�o, fica a seu crit�rio.


O livro �O C�dex 632�, de Jos� Rodrigues dos Santos, foi lido com muito prazer. Como o autor � portugu�s de Portugal, a editora decidiu manter o original para o p�blico brasileiro e foi interessante ver as diferen�as de uma mesma l�ngua para os diferentes pa�ses. Mas o melhor n�o fica a�: no meu caso, como eu adoro estudar l�nguas, simpatizei com o protagonista logo no in�cio, j� que ele � um professor, cript�grafo, historiador, que estuda e pesquisa a origem das l�nguas, que analisa as possibilidades da origem da forma escrita e, enfim, tudo que engloba a comunica��o atrav�s da fala e da escrita.

Ele � convidado a estudar a fundo uma pesquisa iniciada por outro historiador, que morre e deixa pistas sobre o que descobriu. Como um cript�grafo (quem estuda a arte de escrever em cifra ou código), nada melhor do que t�-lo como aliado para decifrar o tal segredo: Colombo era mesmo Colombo? Qual era sua verdadeira identidade?

O livro � interessante principalmente porque acabamos por aprender muito mais do que lemos e ouvimos na escola � naquela �poca em que estudar o descobrimento das Am�ricas, do Brasil, n�o era o assunto mais em voga na nossa realidade infantil � sobre nossa história. Ou seria a história dos portugueses?

A história contada nos livros hoje � de que Colombo era um tecel�o genov�s, de origem muito simples. Mas, nos documentos, todos reais (eles existem mesmo!), ele nunca escreveu uma palavra em italiano e, em compensa��o, sabia latim � para alguém de origem simples isso era imposs�vel. Seu espanhol era aportuguesado (como o nosso portunhol) e sua assinatura deixava algumas pistas de uma outra nacionalidade e religi�o. E o navegador sempre fez mistério sobre sua origem � nem mesmo seu filho sabia onde ele realmente havia nascido. Documentos provam.

Tom�s passa o livro todo buscando informa��es, pesquisando, viajando em busca de mais verdades. E o livro � isso mesmo: uma viagem em que conhecemos mais sobre Portugal e v�rias de suas cidades, Jerusal�m, Espanha e at� Nova York. Porque al�m de falar sobre os documentos pesquisados, os lugares em que eles se encontram ou que há pessoas que possam ajudar, s�o minuciosamente detalhados, para que o leitor conheça ou reconheça por onde o protagonista passa.

O melhor de tudo � a reviravolta que a história d�. Um livro pra ler com calma e assim, poder absorver todas as novas informa��es que nos traz.

De qualquer maneira, marquei algumas páginas que quero publicar aqui. Como a história do número 9, que j� comentei, tem mais alguns assuntos que ele levanta bem legais a serem debatidos.

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6.4.07

Ser da realeza �s vezes n�o adianta

Acabei de ler o livro �Princesa � A história real da vida das mulheres �rabes por tr�s de seus negros v�us�, de Jean P. Sasson. A autora reconta a história ver�dica que ouviu de Sultana, princesa �rabe que teve seu nome trocado para n�o sofrer persegui��es ou maiores problemas em seu pa�s, podendo ser morta de alguma maneira cruel.

Sultana � uma princesa na Ar�bia Saudita que n�o aceita as leis e os sofrimentos pelos quais as mulheres do pa�s s�o submetidas. Casamentos arranjados, logo quando elas menstruam, com homens que teriam idade para serem seus pais ou at� mesmo av�s; a mutila��o dos �rg�os genitais; a proibi��o de serem ativas na sociedade e seres pensantes. Os homens l�em o Cor�o, livro de Maom� com os ensinamentos que este ouviu de Deus, conforme seus interesses, tornando sempre a mulher um ser inferior.

A princesa conta fatos reais de acontecimentos que a cercaram: a predile��o por filhos homens e o desprezo pelas mulheres; o assassinato de filhas pelos próprios pais por causa de supostos crimes contra o Cor�o. O livro � de 1992 e � um apelo da princesa para que o mundo volte os olhos para o sofrimento dessas mulheres. Desde l� at� os dias atuais, talvez alguma coisa tenha mudado, mas acredito que as mulheres sofrem at� hoje todos os tipos de abusos e muitas vezes s�o tratadas como animais, sendo vendidas a seus maridos, casando-se sempre em família e com mu�ulmanos �para que a religi�o e a família se propaguem sempre�.

Eu chorei lendo esse livro � e sei que n�o há muito que se possa fazer numa tradi��o milenar e numa na��o que � rica gra�as ao petr�leo. O machismo ainda reina em grande parte do mundo e isso � triste. Em tempo: parece que para a maioria dos homens mul�umanos, todas as mulheres que n�o seguem os mandamentos de Maom� s�o prostitutas.

______________________________

Vers�culo do Cor�o � livro sagrado do islamismo, dividido em 114 Suras (cap�tulos) �, sobre o número de mulheres que um homem pode desposar e as instruções para presente�-las com um dote:

SURA III, 3
Case-se com as mulheres de sua escolha,
duas, tr�s ou quatro;
mas, se tiver receio de n�o poder
trat�-las com igualdade,
ent�o pegue apenas uma mulher
ou uma cativa
que sua m�o direita possui,
pois isso ser� mais adequado
para evitar que vocé
cometa uma injusti�a.
Ao se casar, d� de presente �s mulheres
o dote a que elas têm direito;
mas se elas, de livre e espont�nea vontade,
lhe devolverem parte do dote,
aceite-o com prazer
e fa�a bom proveito dele.

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25.3.07

O Segredo do Anel : O legado de Maria Madalena


(Sandro Botticelli - A Primavera, 1478)

N�o consegui parar de ler at� acabar. E queria mais. Retiro o que disse quando escrevi que este livro seguia a onda de O Código da Vinci. Kathleen McGowan, a autora, surpreende do come�o ao fim com sua história envolvente e mais ainda no posf�cio � d� pra debater e muito seu livro e suas vis�es.

A história � sobre uma escritora e jornalista � Maureen (seria a própria autora?) � que busca outros pontos de vista sobre histórias que conhecemos há tempos. Maria Antonieta, rainha da Fran�a que tem como estigma a famosa frase �se n�o têm p�o, que comam brioches�; Joana D�Arc, um s�mbolo crist�o, vistas de outra maneira, dentre v�rias outras mulheres citadas � o que inclui principalmente Maria Madalena, que acaba por tomar conta de todo o livro �, elas têm suas histórias recontadas pela protagonista.

O mais interessante � quando ela diz: �A história n�o � o que aconteceu. A história � o que foi escrito�. Realmente, a mulher conseguiu se igualar em direitos ao homem há pouco tempo (se � que chegamos definitivamente mesmo a este patamar). Analisando tudo que conhecemos e sabemos, a sociedade sempre foi machista e durante muitos s�culos teve a mulher como ser inferior. Ou seja, contaram as histórias que conhecemos quem podia cont�-las: homens, a elite, quem podia comandar a massa. N�o digo que sejam pessoas m�s, mas estes oferecem apenas um ponto de vista para histórias que sempre têm vencedores e perdedores ou ainda grandes companheiros � de igual para igual.

E � a� que o livro fica melhor ainda: Madalena n�o � uma prostituta como conhecemos na b�blia, mas uma mulher que se casou e teve filhos de Jesus. Os ap�stolos n�o s�o exatamente como conhecemos: Judas n�o foi um traidor. Jo�o Batista, primo de Jesus, tamb�m se intitulou o escolhido � tudo muito mais politicagem do que poder�amos acreditar.

O livro faz grandes revela��es e se diz fic��o, mas eu n�o duvido que seja uma história real. A mesma história sendo contada por outro �ngulo. Talvez mais sincero, talvez menos preconceituoso. Como saberemos?

A decisão de acreditar ou n�o � sua, mas a leitura vale cada linha.
E se for ler, tenha as obras de Boticelli e de da Vinci � m�o. � melhor ainda para ilustrar seus pensamentos e seus credos, enquanto devora o livro.

�Y gwir erbyn y byd� (traduzido do gal�s: �A verdade contra o mundo�)
Boadicea � rainha-guerreira celta do s�culo I

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16.3.07

Neve: livro não é tudo que se espera

Ka, poeta turco refugiado em Frankfurt, na Alemanha, vai ao enterro de sua mãe, em Istambul. Lá, resolve ir para Kars, uma pequena cidade turca, que leva um dia e meio de ônibus para chegar. Ele levou três dias por causa da nevasca.

Ele decide ir para a cidade com a desculpa de escrever para um jornal de Istambul sobre moças muçulmanas que estão se suicidando na cidade: elas não aceitam tirar o véu, conforme o Estado vem exigindo para que possam frequentar a faculdade. Mas, ao mesmo tempo, o suicídio é condenado pelo islamismo: para afirmar sua religiosidade, estão cometendo um pecado. Enfim, os suicídios são somente uma desculpa para ele ir à cidade rever Ipek, uma amiga de sua época de faculdade.

A discussão do livro, que tem como tempo de acontecimentos três dias (os dias em que a cidade fica incomunicável por causa da neve que não para de cair), é sobre os ideais e as lutas de ideais entre um Estado secularista e os islamitas – conflitos raciais e religiosos. Além disso, os personagens exigem de Ka que decida se é ou não ateu – algo que parece essencial para a sociedade deles.

Enfim, o livro extremamente moroso (imagine: quase 50 páginas para 3 dias), o que cansa a leitura. E como é um assunto que não compreendo tão bem, já que é uma outra cultura, uma outra forma de ver e exigir as coisas da vida, o livro exige uma grande concentração. Até aí, tudo bem. Mas, o desfecho é sem graça, a história não tem um fim.

Mas, claro, tem suas partes interessantes. Vou transcrever aqui as falas de um jovem curdo, que discutia com vários outros, de várias facções e religiões, o que escrever para o jornal alemão, que Ka inventou que trabalhava (ele fazia um freelancer para um amigo em Istambul, e não em Frankfurt), para que o Ocidente – gente hipócrita, segundo eles – soubesse o que pensavam as pessoas do Oriente:

“O maior erro da humanidade, a maior ilusão dos últimos mil anos é a seguinte: confundir pobreza com estupidez. Através da história, os líderes religiosos e outros ilustres homens de consciência sempre alertaram contra essa confusão vergonhosa. Eles nos lembram que, como todo mundo, os pobres têm coração, mente, humanidade e sabedoria. (…)

As pessoas podem lastimar a sorte de um homem que passa por dificuldades, mas quando toda uma nação é pobre, o resto do mundo imagina que todo o seu povo deve ser desmiolado, preguiçoso, sujo, um bando de imbecis grosseiros. Em vez de inspirar piedade, esse povo provoca gargalhadas. Tudo é uma piada: sua cultura, seus costumes, seus usos. A certa altura, no resto do mundo, algumas pessoas podem começar a sentir vergonha por terem pensado assim, e quando olham em volta e veem imigrantes daquele país pobre limpando o chão e fazendo outros trabalhos mal remunerados, naturalmente começam a se sentir preocupados com o que pode acontecer se um dia esses trabalhadores se levantarem contra elas. Então, para evitar que as coisas degringolem, começam a mostrar interesse pela cultura dos imigrantes e às vezes chegam a fingir que os consideram como iguais.”

Vem cá, fala sério: que tapa na cara, hein!?
É de se pensar: será que o terrorismo começa assim?
Essa postura é a cara dos imigrantes na Europa, não!?
Será que o Brasil está muito longe dessa realidade?

Por essas discussões, o livro compensa, mas, eu não indico. Político demais e ao mesmo tempo, superficial – é a minha opinião, é claro! Quem sou eu para julgar mal o livro?

Para quem busca uma leitura que vá além da ficção e aborde temas complexos, 'Neve' é uma ótima opção. A história é rica em detalhes e te convida a uma reflexão profunda sobre a sociedade. Mas atenção: a abordagem política pode ser intensa.
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6.2.07

O Livreiro de Cabul é retrato de uma realidade

No fim de semana, acabei de ler "O Livreiro de Cabul", de Åsne Seierstad, o primeiro da lista de livros para o semestre. Com toda uma veia jornalística na forma de escrever, a autora mostra como acontecem coisas corriqueiras no dia a dia do Afeganistão, humanizando as histórias com seus personagens reais: não é um romance, são relatos muito bem contados.

Relatos reais e imparciais de pessoas diretamente ligadas a Sultan Khan, o tal livreiro de Cabul. Compreendo que ele tenha processado a autora: o homem se acha à frente de seu tempo por colecionar e defender seus livros, por achar que a história de seu povo está ali, entre todos os livros que salvou ou copiou, mas não deixa seus filhos irem à escola para cuidarem de suas livrarias. Ler sobre si mesmo e se ver como um tirano deve ser muito difícil. E realmente ele é um afegão em todos os aspectos, principalmente em seu machismo. Sem que ninguém da família possa contrariá-lo, nem percebe o mal que faz a todos. Acredito que, lendo o livro, ele teve outra visão de si próprio.

Ao mesmo tempo, não é culpa dele: a religião (que ele não segue cegamente) e a cultura do país o fizeram ser assim. Os acontecimentos no livro são logo após a queda do Talibã e as mulheres ainda tinham medo de não usar a burca, por acharem que se tornariam impuras, sendo vistas por outros homens. Os rapazes ainda têm medo de terem pensamentos "sujos" com outras mulheres, o que também os torna impuros.

E ainda ficamos sabendo de histórias que nem são tão contadas por aqui: as burcas não surgiram do Alcorão - foi um sultão do começo do século passado que, não querendo que as 200 mulheres de seu harém fossem vistas por todos, inventou burcas bordadas e enfeitadas para que elas usassem. A elite gostou e copiou. Os pobres acharam bonito se vestir como os ricos e também copiaram - e depois disso, o Talibã resolveu tornar obrigatório. Nos anos 70, os afegãos usavam roupas ocidentais e recebiam visitas de muitos turistas hippies (muito interessados no haxixe, diga-se de passagem).

O que mais choca são as amputações que acontecem por causa de uma cultura: como as mulheres viviam escondidas em suas burcas, dentro da casa de suas famílias, os jovens não têm contatos antes do casamento (a não ser com as viúvas que vendem seu corpo para sobreviver, já que eram sustentadas pelos maridos). E por não terem como "namorar", muitos procuram outros homens: o homossexualismo é muito difundido no sul do Afeganistão.

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26.1.07

Livros para ler

Dando minhas voltinhas pelas livrarias, me interesso por milhões de histórias e assuntos. Aí, depois de ver e anotar nomes e preços na livraria, fui até o Submarino, comparar preços e copiar as sinopses, pra não me esquecer. Li todas as abas, capas e contra-capas dos livros mas, minha memória é péssima!




Escrever o que vejo e o que quero, é uma necessidade! Essa listinha aí debaixo seria a minha meta de leitura para o primeiro semestre. Fica aí a sugestão:

O Livreiro de Cabul, Åsne Seierstad — Compre aqui na Amazon
A jornalista norueguesa viveu três meses em Cabul, com o livreiro Sultan Khan e sua família para escrever o que viu. A reportagem sobre a vida afegã depois da queda do Talibã, pelo que li, mostra que as mulheres continuam sofrendo, sem nem saber como seria viver em outra cultura.

Neve, Orphan Pamuk — Compre aqui na Amazon
Aprisionado pela neve em uma minúscula e remota cidade da Turquia, o poeta Ka se vê no epicentro de um microcosmo de conflitos raciais e religiosos do mundo muçulmano.

O Segredo do Anel: o Legado de Maria Madalena, Kathleen Mc Gowan — Compre aqui na Amazon
O livro é uma viagem de aventura, suspense e romantismo em que um anel enigmático é a chave para a descoberta de um segredo muito bem guardado por mais de 2.000 anos. Na onda de “O Código da Vinci”, é claro...

O Códex 632, José Rodrigues dos Santos — Compre aqui na Amazon
Um historiador português é contratado para investigar a verdadeira origem do navegador Cristóvão Colombo. Ao longo de suas pesquisas, ele se depara com uma série de descobertas surpreendentes: mensagens criptografadas, segredos e assassinatos, numa trama de tirar o fôlego.

Paixão Índia, Javier Moro — Compre aqui na Amazon
O livro conta a história de Anita Delgado, jovem bailarina andaluza que se transformou em princesa na Índia. Na Índia colonial do início do século XX, Anita e o rajá de Kapurthala viveram uma história de amor que provocou um inevitável choque cultural entre Oriente e Ocidente. As outras mulheres do marajá e seus súditos viam em Anita uma ameaça à tradição hindu. Apesar de estar cercada de vassalos e luxo, a jovem vivia na mais completa solidão. Javier Moro realizou pesquisas detalhadas, tanto na Europa quanto na Índia, para construir uma narrativa minuciosa sobre a relação entre o casal, que terminou como um dos maiores escândalos da Índia inglesa.

A Tenda Vermelha, Anita Diamant — Compre aqui na Amazon
Na Bíblia, as mulheres ocupam um lugar à sombra, por isso ficamos privados de sua sensibilidade na descrição dos acontecimentos. Numa narrativa envolvente, a autora resgata esse olhar feminino e dá vida às personagens bíblicas, recriando o ambiente em que viveram, seu cotidiano, suas provações e suas paixões. Filha de Jacó e Lia, Dinah - cuja trajetória é apenas sugerida no Livro do Gênese - é a figura central desta trama, que começa com a história das quatro esposas de Jacó, a quem ela chama de "mães": Lia, Raquel, Zilpah e Bilah.

O Tigre de Sharpe - vol. 1, Bernard Cornwell — Compre aqui na Amazon
— Primeiro volume de “As Aventuras de Sharpe”. Sucesso em todo o mundo, a série conta a história de Richard Sharpe, oficial do exército britânico nas batalhas napolêonicas do século XIX. Neste livro, Sharpe, recém-integrado às forças britâncias, segue pela Índia, onde ajudará a destronar um impiedoso sultão e seus aliados franceses.

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